Se a sua vida daria um livro ou um filme, a minha daria uma telenovela.
ÁGUA VIVA
Sempre assisti novelas de tv, desde criança que eu acompanho o que "acontece" dentro da "tela mágica". O primeiro som de que me recordo, não veio de familiares nem dos pássaros que habitavam o viveiro que havia no quintal de minha casa, mas do som de abertura da novela Água Viva, a primeira registrada no meu arquivo de memórias. Eu mal sabia falar, mas ao escutar os acordes iniciais da canção e a voz de Baby Consuelo entoando “menino do rio...”, eu engatinhava pra frente da televisão, de onde só saia ao final do capítulo, depois de rever a abertura, dessa vez com os créditos finais (até meados da década de 80 os nomes dos responsáveis técnicos por cada obra também eram exibidos ao final de cada capítulo). Não me lembro claramente da história, somente da abertura, que exibia pessoas em cima de pranchas de windsuf velejando numa coreografia ambientada nos mares do Rio de Janeiro, um cenário exuberante que me deixava em transe (e até hoje ainda me deixam quando as revejo). Talvez seja essa uma das causas possíveis que explique a paixão que sinto pelo Rio de Janeiro. Eu lembro que eu me aproximava da tela da TV, tocando levemente, no que a minha avó dizia: É o Rio de Janeiro, meu filho, é lindo...
Quando perceberam o poder que as novelas de TV exerciam sobre mim, minha família - avô, avó e mãe - deu logo um jeito de "reservar" para mim um cantinho especial na sala, para que eu pudesse assistir aos capítulos sem ser incomodado. Ali, quietinho em meu canto, eu era cúmplice da pequena órfã Maria Helena, e de olhos pequeninos - mas atentos - eu me identificava com seu drama, ainda que sem saber. Onde estava meu pai?
Essa Abertura também serviu de inspiração para o tema da minha festa de aniversário de três anos, que tinha pranchas de windsurf em miniatura coladas sobre caixas de margarina artesanalmente decoradas, que os convidados podiam levar para casa como lembrança, que eu guardo até hoje.
Um grande sucesso de Gilberto Braga, que foi ao ar pela Rede Globo de 4 de fevereiro a 9 de agosto de 1980, cumprindo uma jornada de 159 capítulos.
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